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A Trégua Acabou: Fraude no E-commerce Volta a Crescer e os Golpes Estão Mais Caros

Por João Bueno24 Aug,2026

Seis meses seguidos de queda. Foi esse o cenário que o comércio eletrônico brasileiro vinha comemorando até junho. E então, em julho, a tendência virou não devagar, mas de uma vez: o Índice de Fraude da Equifax BoaVista saltou de 1,08% para 1,21%, alta de 12% em um único mês. É o tipo de reversão que merece atenção de qualquer negócio que vive de vender online, especialmente porque ela chega bem na hora em que o calendário do varejo começa a esquentar.

Os Números Que Acenderam o Alerta

Segundo o levantamento, que analisou mais de 45 milhões de transações digitais entre junho e julho, o volume de tentativas de fraude passou de 248,6 mil para 269,9 mil ocorrências um crescimento de 8,6% de um mês para o outro. Mas o dado que mais chama atenção não é o volume: é o dinheiro por trás dele.

Indicador

Junho/2026

Julho/2026

Variação

Índice de fraude

1,08%

1,21%

+12%

Tentativas de fraude

248,6 mil

269,9 mil

+8,6%

Valor total envolvido

R$ 245,3 milhões

R$ 277,6 milhões

+13,2%

Ticket médio da fraude

R$ 986,93

R$ 1.028,82

+4,2%

Repare no padrão: o valor total cresceu mais rápido (13,2%) do que o número de tentativas (8,6%). Matematicamente, isso só é possível se cada golpe, em média, estiver mirando um valor maior e foi exatamente o que aconteceu. O ticket médio das fraudes ultrapassou a barreira dos R$ 1.000 pela primeira vez no ano, alta de 4,2% em relação a junho.

Por Que os Golpistas Estão Mirando Compras Mais Caras

A leitura da Equifax BoaVista é direta: os fraudadores concentraram esforço em transações de maior valor logo no início do segundo semestre. Não é um movimento aleatório é estratégico. Um golpe bem-sucedido em uma compra de R$ 1.000 rende, para quem comete a fraude, muito mais do que dez tentativas em compras de R$ 100, com o mesmo (ou menor) risco de ser detectado.

Para a empresa, esse movimento pode marcar o início de um padrão sazonal que se repete todos os anos: enquanto o varejo intensifica promoções no segundo semestre, os fraudadores começam a preparar ataques mirando justamente as datas de maior movimento Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

O Golpe Está Mais Devagar e Mais Difícil de Notar

Um detalhe do levantamento merece atenção especial: as equipes de prevenção da Equifax BoaVista vêm observando fraudadores dedicando mais tempo à preparação dos golpes, não menos. Isso inclui o uso de dados obtidos em vazamentos, contas criadas com antecedência propositalmente para "amadurecer" antes do golpe, e padrões de navegação desenhados para imitar o comportamento de um consumidor real.

Juliano Manrique, superintendente de Produtos de ID & Fraud da Equifax BoaVista, resume a mudança de foco: depois de um primeiro semestre de queda contínua, julho marca a retomada esperada da atividade dos fraudadores mas agora o desafio deixou de ser apenas о volume de tentativas e passou a envolver, também, o grau de sofisticação de cada uma delas.

Na prática, isso significa que o fraudador de 2026 não está mais tentando "passar rápido" por um sistema de segurança está tentando parecer, o tempo todo, com um cliente comum. E quanto mais parecido com um cliente real, mais difícil fica para qualquer sistema automatizado (ou para o próprio time de atendimento) perceber a diferença antes que o pedido saia do estoque.

O Contexto Fica Mais Sério Quando Se Olha o Semestre Inteiro

Esse não é um dado isolado. Outros levantamentos do setor também apontam pressão crescente de fraude sobre o e-commerce brasileiro ao longo de 2026. O Mapa da Fraude da Serasa Experian, por exemplo, identificou mais de 743 mil tentativas de fraude só no primeiro semestre o equivalente a uma ocorrência a cada 21 segundos, com risco de prejuízo superior a R$ 573 milhões caso essas operações não tivessem sido barradas a tempo.

O recado dos dois levantamentos, juntos, é o mesmo: fraude não é mais um problema de pico isolado em datas específicas. É uma pressão constante, que se intensifica exatamente quando o volume de vendas também cresce tornando cada vez mais estreita a margem entre vender mais e vender com segurança.

O Que Fazer Antes da Black Friday Chegar

Reforçar a prevenção não é algo para deixar para novembro. O próprio setor reconhece isso: varejistas já vêm ajustando seus mecanismos de detecção antes do pico de movimento, buscando identificar comportamento suspeito sem elevar o atrito para o comprador legítimo o equilíbrio mais difícil de qualquer estratégia antifraude.

Para quem vende em múltiplos marketplaces, esse equilíbrio fica ainda mais complexo: cada canal tem suas próprias regras e sinais de alerta, e um comprador problemático em uma plataforma nem sempre é sinalizado nas demais. Ter visibilidade centralizada sobre pedidos e a possibilidade de identificar e bloquear compradores já marcados por comportamento fraudulento em todas as lojas conectadas, não só na loja onde o problema aconteceu é uma camada extra de proteção que faz diferença justamente nesse período de preparação. Não substitui os sistemas antifraude das próprias plataformas, mas reduz a chance de o mesmo golpista testar sorte em um segundo canal depois de ser barrado no primeiro.

O que fica claro nos dados de julho é que o intervalo entre "notar o problema" e "o problema já ter acontecido" está encolhendo. Quanto mais cedo a operação revisar seus próprios pontos de exposição, maior a chance de chegar à Black Friday com uma defesa mais sólida e não descobrindo as brechas no meio do pico de vendas.

Perguntas Frequentes

Por que a fraude no e-commerce voltou a crescer em julho de 2026?

Segundo a Equifax BoaVista, o movimento marca o início de um padrão sazonal recorrente: no segundo semestre, o varejo intensifica promoções e os fraudadores começam a se preparar para datas de maior movimento, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

O que significa o aumento do ticket médio das fraudes?

Significa que os fraudadores estão mirando compras de maior valor. O valor total das tentativas de fraude cresceu mais rápido (13,2%) do que o número de ocorrências (8,6%), o que elevou o ticket médio de cada tentativa para R$ 1.028,82 em julho.

As fraudes estão mais sofisticadas do que antes?

Sim. A Equifax BoaVista identificou fraudadores dedicando mais tempo de preparação aos golpes usando dados de vazamentos, contas criadas com antecedência e padrões de navegação que imitam o comportamento de consumidores reais, dificultando a detecção automática.

O que é o Índice de Fraude da Equifax BoaVista?

É um indicador mensal que acompanha o comportamento das tentativas de fraude no comércio eletrônico brasileiro, monitorando tendências de risco digital e comportamento de consumo. O levantamento de julho de 2026 analisou mais de 45 milhões de transações digitais.

Como o vendedor pode se proteger antes da Black Friday?

Reforçando os mecanismos de prevenção antes do pico de vendas, revisando pontos de exposição a fraude e, no caso de operações multicanal, mantendo visibilidade centralizada sobre pedidos e compradores já identificados como problemáticos em qualquer uma das lojas conectadas.

A Calmaria Foi Só Uma Pausa

Seis meses de queda criaram uma falsa sensação de alívio no setor. Os números de julho mostram que era exatamente isso: uma pausa, não uma tendência. E o padrão histórico é claro quanto mais perto do segundo semestre pesado em promoções, maior a atividade dos fraudadores, e mais sofisticadas as tentativas.

Para quem vende online, a lição de julho não é motivo de pânico é motivo de antecipação. Revisar processos de prevenção agora, antes que o volume de pedidos dispare com as campanhas de fim de ano, custa muito menos do que lidar com o prejuízo (financeiro e de reputação) de um golpe que passou despercebido no meio do pico.


Fonte: Índice de Fraude da Equifax BoaVista, referente a julho de 2026.

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