Duas em cada cinco encomendas enviadas hoje por uma pequena empresa brasileira não saem mais de casa esperando um motorista buscar a caixa na porta. Elas são levadas até o balcão de uma loja de bairro, uma papelaria ou um pequeno comércio parceiro e seguem dali para o destino final. Essa mudança silenciosa tem nome, sigla e, agora, números que comprovam que deixou de ser tendência de nicho: os pontos de recebimento, os chamados PUDOs (Pick up and Drop off points), estão reorganizando a forma como pequenas e médias empresas despacham seus produtos no Brasil.
O que são pontos de recebimento (PUDOs)
PUDO é a sigla para Pick up and Drop off points: estabelecimentos comerciais como lojas de conveniência, papelarias e pequenos varejos parceiros que funcionam como ponto intermediário para postagem, retirada e até devolução de encomendas. Em vez de agendar a coleta em casa ou no estoque, o lojista leva o pacote até o ponto mais próximo, dentro do horário comercial que for mais conveniente. O mesmo tipo de estrutura também pode ser usado pelo cliente final, que escolhe retirar a compra por lá em vez de esperar a entrega em domicílio.
Os números por trás da mudança
Segundo a 5ª edição do Mapa da Logística, levantamento da Loggi com dados de mais de 22 mil empresas coletados em cinco mil municípios das cinco regiões do país, o uso de pontos de recebimento por PMEs cresceu 53% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025. O modelo já responde por 39% dos envios feitos por pequenas e médias empresas um salto relevante frente aos 33% registrados no levantamento anterior, referente a 2025. A coleta tradicional ainda é maioria, respondendo por 61% das operações, mas a curva de crescimento indica que essa proporção não deve se manter por muito tempo.
Por que as pequenas empresas estão trocando a coleta pelo ponto de recebimento
A explicação passa por três frentes. A primeira é custo: não depender de coleta agendada reduz despesas logísticas, especialmente para quem ainda não tem volume de pedidos suficiente para justificar rotas dedicadas. A segunda é flexibilidade o lojista deixa de estar refém do horário do motorista e passa a decidir quando despachar. A terceira é alcance: como a rede de pontos comerciais parceiros tende a ser mais capilar do que rotas de coleta dedicadas, PMEs em cidades menores ganham acesso a uma logística que antes era vantagem quase exclusiva das grandes operações.
Onde essa mudança é mais forte
A geografia reforça esse último ponto. Enquanto cerca de 40% dos pacotes de PMEs ainda partem de São Paulo bem abaixo dos 67% registrados entre grandes marcas, estados como Santa Catarina (15% de origem), Paraná (9%) e Minas Gerais (9%) ganham peso crescente como polos de envio de pequenos negócios. Em termos de crescimento, Santa Catarina lidera com alta de 24% nos envios, seguida por Rio Grande do Sul (23%), Paraná (17%), Distrito Federal (10%) e Ceará (4%). A região Sul já concentra 26% dos envios de PMEs, contra 6% do Centro-Oeste e 4% do Nordeste um sinal de que o comércio eletrônico brasileiro está deixando de ser um jogo concentrado no eixo Sudeste.
A diversificação também aparece nas categorias vendidas: móveis e decoração lideraram o crescimento no período, com alta de 105% nos envios, seguidos por alimentos não perecíveis (25%) e óticas (20%) evidência de que o modelo de pontos de recebimento está sendo adotado por segmentos bem diferentes entre si, não apenas por quem vende produtos pequenos e fáceis de despachar.
O desafio por trás da conveniência
A dificuldade que poucos comentam é operacional: quanto mais pontos de recebimento, transportadoras e canais de venda um pequeno negócio usa ao mesmo tempo, mais fácil é perder o rastro de um pedido específico. Uma encomenda que passou por um ponto parceiro em vez de uma coleta tradicional gera um comprovante diferente, um status próprio, às vezes um prazo diferente de atualização e, para quem vende em múltiplas plataformas, isso significa mais uma variável para acompanhar manualmente.
É aí que ferramentas de gestão de pedidos multicanal, como o UpSeller, entram na conversa sem precisar ser o assunto principal: centralizar comprovantes de envio e sinalizar pedidos com alguma anomalia como uma postagem que devia ter sido confirmada num ponto de recebimento e não foi ajuda a evitar que essa flexibilidade toda vire motivo de dor de cabeça no pós-venda, especialmente quando o volume de pedidos cresce mais rápido do que a capacidade de acompanhar cada um manualmente.
O que esperar daqui para frente
Se a trajetória dos últimos dois levantamentos da Loggi se mantiver de 33% para 39% em pouco mais de um semestre, é razoável esperar que os pontos de recebimento deixem de ser uma alternativa à coleta tradicional e passem a disputar posição de modelo predominante entre PMEs nos próximos ciclos. Para o pequeno lojista, a lição prática já está dada: vale conhecer os pontos de recebimento disponíveis na sua região e testar o modelo antes que ele deixe de ser diferencial e passe a ser padrão do setor.
Perguntas frequentes
O que é um ponto de recebimento (PUDO) no e-commerce?
É um estabelecimento comercial parceiro como uma loja de conveniência ou papelaria usado como ponto intermediário para postar, retirar ou devolver encomendas, em vez de depender de coleta agendada em casa.
Por que o uso de pontos de recebimento está crescendo entre PMEs?
Principalmente por custo mais baixo, mais flexibilidade de horário para despachar os produtos e maior alcance em regiões onde a coleta tradicional tem menos cobertura.
Pontos de recebimento substituem totalmente a coleta tradicional?
Ainda não. Segundo a Loggi, a coleta tradicional responde por 61% das operações das PMEs, mas os pontos de recebimento vêm ganhando espaço rapidamente, saindo de 33% para 39% em pouco mais de seis meses.
Como uma pequena empresa pode organizar o envio por vários pontos de recebimento sem perder o controle?
O ideal é centralizar o acompanhamento de pedidos, comprovantes de envio e status de cada remessa em um único painel, em vez de controlar cada canal e cada ponto de postagem separadamente isso reduz o risco de um pedido passar despercebido no meio do processo.



